domingo, 27 de março de 2011

De um amor morto fica
Um pesado tempo quotidiano

Onde os gestos se esbarram
Ao longo do ano

De um amor morto não fica
Nenhuma memória
O passado se rende
O presente o devora
E os navios do tempo
Agudos e lentos
O levam embora

Pois um amor morto não deixa
Em nós seu retrato
De infinita demora
É apenas um facto
Que a eternidade ignora 


Sophia de Mello Breyner Andresen, in "Geografia"

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